E lá estava eu, onde alguns queriam estar. Mas eu queria estar ali? Sentia-me avulsa em meio a multidão que transitava ao meu redor. Presa em minha adequada timidez de caloura e totalmente insegura por não saber o que fazer diante dessa situação nova. Entrei no mundo que chamam de adulto. Ainda não sou um deles. Será que um dia serei? Encolhi-me dentro do casaco, assim como meu estômago, onde as borboletas davam voltas, piruetas e divertiam-se dentro dele. O pânico crescia dentro de mim e tive medo do momento em que ele fosse sair. Não saiu. Acabou sendo engolido, contra minha vontade. Eu era a única com um guarda-chuva aberto. Só chovia em mim; dentro de mim. Entrei na sala, após perguntar de um rapaz sorridente onde ela estava localizada. Detalhe: estive ao lado dela o tempo inteiro e não me dei conta. Pedi licença e encontrei um lugar. Estava atrasadíssima. As apresentações foram feitas e o clima tenso se dispersou, mas eu ainda temia por algo. Após o término, senti o pânico crescer novamente. Era o ambiente, as pessoas. Como se quisessem ser algo que não são. Ou só estejam perdidos como eu. Amanhã tende a ser pior, é a chegada dos veteranos. Não sei o que esperar, mas como é de costume, não esperarei por nada.
Agora, mais uma madrugada me espera e, desta vez, estarei estudando algo que escolhi, mas ainda me sinto “obrigada” a fazer tal coisa. Pelo menos agora estou mais a vontade. Ainda não é nenhum bicho de sete cabeças, oito corações e garras afiadas. Pode ser que se torne, mas não há previsão. Nada está previsto, pelo menos por enquanto.
E amanhã o sol nasce outra vez. É como se estivesse sendo engolida por um oceano desconhecido de emoções distintas e distantes que resolveram brotar em mim. Agora, só me resta aguardar.
Não importa o quanto eu goste do seu sorriso, da sua risada… Não importa o quanto eu realmente goste de você, não vale a pena tentar de novo; cometer o mesmo erro e ficar mais distante de você. Esse penhasco entre nós já é suficiente, ainda sinto a sua falta. Enquanto tento suprir o vazio que sua ausência cria com meus livros, você se diverte jogando videogame com seus amigos e se assusta com seus ‘sonhos’, mas eu prometi pra mim que não iria mais te incomodar e ainda assim quebro minha promessa todos os dias, quando nos vemos… E eu queria tanto que você não tivesse esquecido que sou sua amiga e que estou aqui para te ajudar, que acabei causando isso. Só queria que nossa amizade fosse leve como antes. Ah! Como eu queria que você pudesse me salvar… “De alguém que muito sente.”
Este é um tempo de silêncio. Tocam-te apenas. E no gesto te empobrecem de afeto. No gesto te consomem. Tocaram-te, nas tarde, assim como tocaste, adolescente, a superfície parada de umas águas? Tens ainda nas mãos a pequena raiz, a fibra delicada que a si se construía em solidão?
Tudo chega ao fim um dia, é inevitável. As pessoas podem se afastar, alguns colegas podem se distanciar, em alguns casos o fim só chega com a morte, e espero que seja assim no meu caso. Tudo acaba, cabe a você aproveitar e valorizar enquanto pode fazer isso.